"Ela sentou naquela mesma sala tantas vezes. Olhando pra ele, sorrindo com ele, esperando por ele, duvidando dele, amando ele, acreditando nele (...)
Tudo passou, como na vida tudo passa. Ela deu seu grito de liberdade, saiu daquela escola, mudou a vida, nunca mais olhou pra trás (...)
Lembranças são pra vida toda, assim como cicatrizes. O grande lance é que atrás de uma cicatriz, sempre há uma história que, embora dolorida, não precisa ser necessariamente toda ruim.
Hoje lembrei dele, lembrei dela e lembrei da gente naquele começo, naquele meio e, por incrível que pareça, não lembrei do fim pela primeira vez. Chorei um pouco, pela primeira vez depois de meses. Dois. Mas sorri depois porque percebi que lembrar de você e sorrir te classifica, de agora em diante e pra sempre, como lembrança, nunca mais como presente. E no passado – porque eu posso selecionar – é impossível que você me machuque, pelo menos não de novo.Não te quero no meu presente, tampouco no meu futuro e não sinto sua falta, de verdade. Mas fico feliz de perceber que lembrar de você, no passado, me faz sorrir já que naquele tempo que agora não nos pertence mais, eu chorei demais por você… e por mim.
Você que um dia foi minha vida, hoje na minha é, finalmente, só uma lembrança. E eu, agora, posso virar a página porque finalmente estou pronta pra amar de novo. Próximo."
(Rani Ghazzaoui, adaptado.)
